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segunda-feira, 24 de julho de 2017
terça-feira, 25 de agosto de 2015
O Valioso Tempo dos Maduros - Mário de Andrade
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
sábado, 1 de setembro de 2012
Estatuto das “Cidades do Bem Viver”
Para ganhar o título do "bem viver", as cidades precisam cumprir 55 exigências. Conheça quais são as reivindicações para aderir ao movimento.
1- Promover e difundir a cultura do bem viver através de pesquisa,
experimentação e aplicação de soluções para a organização da cidade.
2- Atuar políticas ambientais para manter e desenvolver as
características do território e do tecido urbano, valorizando, em
primeiro lugar, as técnicas de recuperação e reutilização.
3- Atuar política de infraestruturas que valorize o território e não a sua ocupação.
4- Qualidade do ar, da água e do solo devem respeitar os parâmetros fixados por lei.
5- Promover e difundir a colheita diferenciada do lixo sólido urbano.
6- Promover a compostagem (decomposição controlada de resíduos) industrial e doméstica.
7- A prefeitura deve garantir uso de depurador municipal de águas residuais.
8- Atual plano municipal de economia de energia, com especial referencia ao uso de fontes energéticas alternativas e renováveis.
9- Incentivar a produção e uso de produtos alimentares obtidos com técnicas naturais e compatíveis com o ambiente, com exclusão de produtos transgênicos.
10- Plano regulador do uso e distribuição de placas e cartazes na cidade.
11- Usar sistema de controle da poluição eletromagnética.
12- Aplicar programa de controle e redução de poluição sonora.
13- Usar sistema e programa de controle da poluição luminosa.
14- Adotar de sistemas de gestão ambiental.
15-Aprovar programas de intervenção para preservar e recuperar os centros históricos e obras de valor cultural e histórico.
16- Adotar projetos para mobilidade segura e políticas para incentivar alternativas ao transporte privado, a integração do tráfego com os meios públicos e as áreas exclusivas de pedestres, ciclovias e vias exclusivas a pedestres para acesso a escolas, locais de trabalho, etc.
17- Criar ciclovias entre escolas e edifícios públicos.
18- Controlar as infraestruturas para garantir o uso de locais públicos a pessoas portadoras de deficiência física, abatimento de barreiras arquitetônicas e acesso às tecnologias.
19- Promover programas para facilitar a vida familiar e as atividades locais como esporte, recreação, atividades que visem unir família e escola, assistência domiciliar a idosos e doentes crônicos, plano de organização dos horários da cidade e banheiros públicos.
20- Criação de centro de assistência médica.
21- Instalação de áreas verdes de qualidade e infraestruturas de serviços.
22- Atuar plano de distribuição de mercadorias e criação de centros comerciais naturais.
23- Estabelecer acordo com os comerciantes para recepção e assistência a cidadãos carentes: “loja amiga”.
24-Atuar melhoria das áreas urbanas que estão em más condições e projetos para reutilizar a cidade.
25- Intervir para a melhoria urbanística e promover uso de tecnologias com o objetivo de melhorar a qualidade do ambiente e do tecido urbano.
26- Promover a bioarquitetura, com criação de departamento especifico e programas para formação de pessoal.
27- Dotar a cidade de sistema de cablagem através de fibras óticas e sistemas sem fio.
28- Controlar campos eletromagnéticos.
29- Atuar plano horário de gestão e sistema de distribuição dos depósitos de lixo na cidade.
30- Promover o plantio, em lugares públicos, de plantas de valor ambiental, com critérios de arquitetura naturalística.
31-Oferecer serviços ao cidadão através da internet e promover o uso da rede cívica e telemática.
32- Eliminar a poluição acústica em áreas barulhentas através de sistemas a prova de som.
33- Promover o teletrabalho (trabalho via internet).
34- Desenvolver a agricultura biológica.
35- Conceder certificado de qualidade aos produtos de artesanato artístico.
36- Tutelar os produtos e manufatos artesanais e/ou artísticos em risco de extinção.
37- Usar produtos biológicos e/ou do território e promover a manutenção das tradições alimentares nos restaurantes coletivos e nos refeitórios escolares.
38- Promover o censo da produção típica do território, apoiar a sua comercialização em mercados de produtos locais e ocasiões e espaços privilegiados para o contato direto entre consumidores e produtores de qualidade.
39-Promover censo das árvores da cidade, valorizando as grandes ou históricas.
40-Atuar para valorizar e conservar as manifestações culturais locais.
41- Promover a instalação de hortas comunitárias urbanas e escolares, de produtos locais, cultivados com métodos tradicionais.
42- Atuar programas de educação sistemática ao gosto, paladar e à alimentação nas escolas, em colaboração com “slow food”
43- Instituir um “Convivium Slow Food” local.
44- Atuar projetos da “Arca” ou “Presidio Slow Food” para espécies ou produtos em risco de extinção.
45- Usar produtos do território tutelados por “slow food” e respeitar as tradições alimentares nos restaurantes e nos refeitórios escolares com programa de educação alimentar.
46- Apoiar as produções típicas do território através da ativação dos “mercados da terra”.
47- Apoiar o projeto “Terra Madre” e as comunidades alimentares através de iniciativas solidárias.
48- Aprovar projetos para formação e informação turística e a boa hospedagem.
49- Atuar plano de sinalização internacional e percursos turísticos guiados.
50- Aprovar política de hospedagem e projetos para facilitar a visita dos turistas e acesso à informação e serviços, sobretudo durante eventos.
51- Preparar de itinerários “slow” da cidade através de material impresso, via web etc.
52- Promover a transparência dos preços e exposição das tarifas do lado de fora dos exercícios comerciais.
53- Aprovar campanha de informação dos cidadãos sobre a finalidade de ser “cidade do bem viver” e a promoção entre todos os moradores, não apenas os operadores, da consciência de viver em uma “cidade slow”.
54-Atuar programas para envolvimento da sociedade na filosofia “slow” e aplicação dos projetos “Cidades do bem viver”, de modo especial as hortas e jardins didáticos, presídio do livro e adesão ao projeto do Banco do Germoplasma.
55- Aprovar programas de divulgação das atividades das “Cidades do Bem Viver” e de “Slow Food”.
Fonte: G1 Globo
Slow cities / cittaslow
Rede Internacional de cidades e vilas onde a qualidade de vida é importante
“Cittaslow (slow cities) é um movimento fundado em Itália em
1999.A fonte de inspiração para as Cittaslow foi a organização
internacional Slow Food.
O movimento funciona, em cada país, através da criação de uma rede nacional, atenta às características e especificidades de cada território.
Itália, Alemanha, Polónia, Noruega, Inglaterra e Brasil são países onde o movimento “Slow Cities” tem já uma rede própria. Entretanto, outros países já integraram, também, este conceito, como são os casos de França, Espanha, Austrália, Canadá e Japão. Portugal juntou-se a este movimento com a entrada de quatro cidades algarvias na rede mundial.
A categoria ‘Slow City’ constitui um selo de qualidade e uma marca que funciona tanto como uma distinção, como também como um compromisso e um ponto de referência para habitantes, turistas e investidores que esperam da cidade credibilidade no que diz respeito a sustentabilidade para as pessoas e para a natureza. “Destas cidades querem-se comunidades com identidade própria, identidade esta que seja reconhecida por quem chega e profundamente sentida por quem dela faz parte . Cultiva-se aqui o sentido de ligação entre os produtos e os consumidores, entre pessoas e meio ambiente protegido, entre residentes e visitantes (que se devem sentir residentes durante a estadia). As cidades slow querem-se ajustadas à escala humana, com os centros históricos preservados e os edifícios novos harmonizados. Devem ser criados lugares de convivência comum da cidade, espaços de lazer e de cultura. A cidade tem que ser para todos e, para isso, as acessibilidades têm de prever a presença de todos por igual. O comércio tradicional, o atendimento personalizado e confiável é encorajado. As cidades e vilas devem ter menos trânsito e menos barulho. As possibilidades são infinitas e sempre inacabadas: espaços verdes, cafés, teatros, cinemas, pousadas, mercados com produtos locais, zonas exclusivamente pedonais, festivais de promoção da região, lojas de comércio justo, promoção dos bairros mais antigos, etc.. O desafio é implementar a filosofia, adaptando à realidade de cada país os cerca de 60 critérios instituídos pela organização mundial, para que uma cidade seja considerada uma “Slow City”. Sempre presente é a preocupação com as diferentes gerações.
O processo de candidatura deve ser liderado pelas autarquias, mas todos os habitantes da cidade e as suas organizações podem tomar iniciativas e são chamados a implicar-se, num diálogo que se quer participado, inteligente, solidário e criativo. Após vencer a candidatura, uma comissão externa à cidade verificará periodicamente a manutenção da designação e o atingir de novos critérios e soluções como cittaslow.
Para ser Slow City uma cidade deve preenchar pelo menos 50% dos critérios de uma lista com 60 itens e os princípios fundamentais assentam em 5 macrocategorias: Política Ambiental;Política de Infraestruturas; Tecnologia para a Qualidade Urbana; Valorização dos produtos locais; Hospitalidade, Convivialidade. Convivialidade“As cidades com mais de 50.000 habitantes não podendo candidatar-se, não devem inibir-se de tentar viver mais de acordo com os princípios e objectivos das slow citties e do slow movement valorizando os seus nichos slow como os parques, os lagos e as zonas históricas, etc. ou simplesmente cultivando e promovendo uma atitude de vida de acordo com os esses valores e ganhando assim reconhecimento e, mais importante, a qualidade de vida dos seus cidadãos. São já várias as grandes capitais e cidades como Londres, Madrid, Sydney ou Toquio a cultivar e a tentar aproximar-se de uma vivência dentro dos princípios da atitude slow.
Exemplo Cittaslow - Ludlow foi a primeira Cidade
Lenta do Reino Unido, assim reconhecida em 2003. Ludlow é uma cidade no
sul da região de Shropshire, perto do País de Gales, com cerca de 10.000
habitantes. Situa-se numa colina junto a uma curva do rio Teme. Entrar
nesta cidade é ser recebido como residente, como parte integrante. Se
percorrer o centro de Ludlow a pé pode encontrar mais de 500 edifícios
referenciados. Nesses edifícios antigos moram pessoas e mora comércio,
pode entrar e apreciá-los assim vividos. O centro é dinâmico, encontra
padarias com fabrico tradicional, talhos com carnes criadas na região,
restaurantes recomendados internacionalmente, lojas de artesanato local,
lojas de design, livrarias e bancos. Muitas destas lojas têm-se
mantido, por muitas gerações, nas mesmas famílias. O atendimento
personalizado e conhecedor dos produtos tem sido preservado. Junto ao
castelo podemos encontrar um impressionante mercado de produtos
cultivados e criados à volta da cidade. Existe também um centro de artes
que promove cinema, teatro, música e conferências. Todas as
organizações são convidadas a envolver-se nas decisões que envolvem a
cidade.
Em 2004 foi criado um Eco-Parque periférico. Todos os edifícios de negócios ali construídos têm de cumprir soluções ecológicas, nomeadamente quanto à emissão de gazes com efeito de estufa (tem de ser 50% inferior à dos edifícios comuns). Pretende-se aplicar uma arquitectura sustentável. Um grande estacionamento, servido por um autocarro, cria uma alternativa ao carro próprio no acesso à cidade. Em Ludlow, decorrem todos os anos pelo menos quatro festivais: um de carros antigos; outro de artes com peças de Shakespeare, concertos, debates e animação de rua; um festival de gastronomia e um festival medieval. Todos estes enredos, e muitos outros, se podem descobrir em cidades lentas. Lugares bons para viver e para visitar... lentamente.” In Publitiris, adaptado.
Fonte:Slow Movement Portugal
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