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sábado, 3 de outubro de 2015

Carnismo - Por que Amamos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas

 

O que é o Carnismo?

O carnismo é um sistema de crenças invisível, ou uma ideologia, que condiciona as pessoas a comer (certos) animais.
O carnismo é, essencialmente, o oposto do vegetarianismo ou do veganismo; “carn” significa “carne” ou da carne” e “ismo” denota um sistema de crenças.
A maioria das pessoas vê o consumo de animais como um dado adquirido em vez de uma escolha; em culturas que consomem carne, por todo o mundo, as pessoas tipicamente não pensam sobre o porquê de acharem a carne de alguns animais repugnante e a carne de outros animais apetitosa, ou sequer sobre o porquê de comerem animais.
Mas quando comer animais não é uma necessidade para a sobrevivência, tal como no caso da maioria da população atual, constitui-se como uma escolha – e as escolhas derivam sempre de sistemas de crença.
Reconhecemos que não comer animais deriva de um sistema de crenças; o vegetarianismo foi nomeado há séculos atrás.
Em conformidade, não nos referimos aos vegetarianos como “consumidores de plantas”, uma vez que compreendemos que comer plantas reflete uma ideologia implícita, na qual o consumo de animais não é ético nem apropriado.
No entanto, continuamos a referir-nos aos “não-vegetarianos” como “consumidores de carne”, como se o ato de comer animais estivesse separado de um sistema de crenças, como se os vegetarianos fossem os únicos a levar para a mesa do jantar o seu sistema de crenças.
Porém, a maioria das pessoas come porcos mas não come cães, isto porque possui um sistema de crenças no que respeita a comer animais.
Então porque é que o carnismo tem continuado sem nome até agora?
Uma razão é porque, simplesmente são mais fáceis de identificar as ideologias que saem da norma.
Uma razão ainda mais importante é porque o carnismo é uma ideologia dominante – uma ideologia de tal modo difundida e interiorizada que os seus princípios são considerados senso comum, “a maneira como as coisas são”, em vez de serem considerados um conjunto de opiniões mantidas pela maioria das pessoas.
O carnismo é também uma ideologia violenta e exploradora; organiza-se em torno de uma violência intensiva, extensiva e desnecessária, e em torno da exploração dos animais.
Até a produção da chamada carne com um tratamento mais humano (e outros produtos de origem animal), que constitui uma pequeníssima percentagem da carne produzida atualmente, explora os animais e envolve crueldade.
Os princípios do carnismo contrariam os valores de base da maioria das pessoas que não estaria disposta, de outra forma, a apoiar a exploração de outros ou a permitir tal violência para com seres sencientes.
Assim, o carnismo, à semelhança e outras ideologia violentas e exploradoras, tem que se esconder para garantir a participação da população; sem o apoio popular, o sistema entraria em colapso.

Onívoro, Carnívoro e Carnista

Assim como “consumidores de carne” é uma expressão imprecisa e enganadora para descrever aqueles que não são vegetarianos, também o são os outros termos comumente usados tais como “omnívoro” e “carnívoro”.
Estes termos reforçam a assunção de que comer animais é natural, um dos mitos mais interiorizados e convincentes, que é usado para justificar o carnismo.
“Onívoro” e “carnívoro” descrevem a disposição fisiológica e não a escolha ideológica de cada um: um onívoro é um animal, humano ou não, que consegue ingerir tanto matéria animal como vegetal e um carnívoro é um animal que precisa de ingerir carne para sobreviver.
Pelas razões mencionadas acima, “carnista” é o termo mais adequado para descrever aqueles que comem animais.
“Carnista” não é um termo com uma intenção pejorativa; tem apenas um propósito descritivo, para descrever quem age de acordo com os princípios do carnismo – tal como “capitalista”, “budista”, “socialista”, “crudivorista”, por exemplo, descrevem aqueles que agem em conformidade com uma ideologia em particular.
Se temos um nome para os vegetarianos, faz todo o sentido termos um nome para aqueles cujos comportamentos refletem o sistema de crenças oposto.
“Carnista,” no entanto, difere dos outros “istas” atrás referidos porque a maioria dos carnistas não sabe que é de fato carnista, uma vez que o carnismo é invisível.
Muitas pessoas são essencialmente, carnistas inadvertidas; tal é o paradoxo de ser carnista.
E apesar de “carnista” ter sido criado simplesmente por uma questão de exatidão, o termo pode ser encarado como ofensivo – muito provavelmente porque, num certo nível, as pessoas consideram ofensiva a desnecessidade de matar e de consumir animais.

Defesas Carnistas

As ideologia como o carnismo mantêm-se vivas ensinando-nos a não pensar ou a não sentir quando seguimos o que ditam, e uma das principais formas de fazerem isto é usando um conjunto de mecanismos que operam tanto ao nível social como psicológico.
As “defesas carnistas” escondem as contradições entre os nossos valores e os nossos comportamentos, permitindo-nos fazer excepções aquilo que normalmente consideraríamos ético.
A principal defesa do sistema é a invisibilidade e a principal forma da ideologia ficar invisível é permanecendo não-nomeada: se não a nomearmos, não a vemos, e se não a virmos, não podemos falar sobre ela ou questioná-la.
Mas não só a própria ideologia é invisível, como também o são as vítimas do sistema: os trilhões de animais de produção pecuária que são mantidos fora de vista e dessa forma, convenientemente afastados da consciência pública; a contínua degradação ambiental; a exploração dos trabalhadores dos matadouros e dos embaladores de carne; e os consumidores de carne que têm cada vez um maior risco de sofrer das doenças mais graves do mundo industrializado e que têm sido continuamente condicionados a desligarem-se, psicologicamente e emocionalmente, da verdade da sua experiência no que diz respeito a comer animais.
Mas a invisibilidade é apenas a primeira linha de defesa na fortaleza do carnismo; é impossível obscurecer completamente a verdade.
Assim, quando a invisibilidade inevitavelmente falha, o sistema precisa de um suporte.
Consequentemente, o carnismo nos ensina a justificar o fato de comermos animais, e ele o faz apresentando os mitos da carne (e de outros produtos animais), como se fossem os fatos sobre a carne, promovendo “Os Três Ns da Justificação”: comer animais é Normal, Natural e Necessário.
Os Três Ns estão institucionalizados – são incluídos e mantidos por todas as grandes instituições sociais, desde a família ao estado – e, talvez não surpreendentemente, têm sido evocadas ao longo da história para justificar outras ideologias exploradoras e violentas (ex. escravatura, domínio masculino, etc.).
O carnismo também se defende a ele próprio através da distorção das nossas percepções sobre a carne e os animais de forma a podermos sentir-nos confortáveis o suficiente para os comermos.
Aprendemos, por exemplo, a ver os animais de produção pecuária como objetos (ex. referimo-nos às galinhas como algo em vez de alguém) e como abstrações, desprovidos de qualquer individualidade e personalidade (ex. um porco é um porco e todos os porcos são iguais), e para criar categorias rígidas nas nossas mentes de forma a podermos acolher sentimentos e comportamentos muito distintos relativamente às várias espécies (ex. a carne de vaca é deliciosa e a carne de cão é repulsiva; as vacas são para comer e os cães são nossos amigos).
Existem mais defesas que sobrepõem e reforçam as mencionadas aqui, mas todas as defesas servem um único propósito: bloquear a nossa sensibilidade e empatia no que toca aos animais de produção pecuária e aos produtos produzidos pelos seus corpos.
Tendo consciência das defesas carnistas, porém, somos menos vulneráveis à sua influência; somos capazes de sair do sistema e de olhar a questão de comer animais com os nossos próprios olhos, em vez de olharmos pelas lentes do carnismo.
-
Dra. Melanie Joy, Ph.D (Doutorada em Psicologia), Ed.M (Mestre em Educação), é psicóloga social e autora do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows” (Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas), que explora a ideologia por detrás do consumo de carne e o porquê de alguns animais serem considerados animais de companhia, enquanto que outros são considerados alimento. A Dra. Joy é professora de Psicologia na Universidade de Massachusetts, em Boston, e estuda a psicologia do especismo há anos.  –  Tradução: Sílvia Ferreira

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Declaração Universal dos Direitos Animais


Preâmbulo

Considerando que todo o animal possui direitos; Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza; Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo; Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros; Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante; Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,


Proclama-se o seguinte


Artigo 1º
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2º
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.

Artigo 3º
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis.
2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.

Artigo 4º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Artigo 5º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.

Artigo 6º
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.

Artigo 7º
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8º
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.

Artigo 9º
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.

Artigo 10º
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11º
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.

Artigo 12º
1.Todo o ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Artigo 13º
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.

Artigo 14º
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

Fonte: Wikipedia

domingo, 23 de agosto de 2015

Bogotá proíbe definitivamente veículos com tração animal

Após uma batalha legal de mais de dois anos, os últimos 90 cavalos e burros explorados em veículos de tração foram entregues para as autoridades de Bogotá, na Colômbia. A partir do primeiro dia de Janeiro, os animais encontrados nesta situação serão resgatados de seus tutores, segundo informação dada pela prefeitura. As informações são do El Mundo.
Um decreto de 2010 fixada o dia 31 de janeiro de 2012 como o limite para os grandes municípios colombianos buscarem alternativas ao uso de carretas sob exploração animal, para acabar com esta característica anacrônica do meio urbano, que é o abuso animal para meios de transporte. Entretanto, a capital do país demorou cerca de dois anos para implementar a norma.
Em pleno século XXI, Bogotá, cidade com oito milhões de habitantes, com um aumento crescente de veículos motorizados e sob um processo de modernização, era uma das últimas capitais latino-americanas onde a convivência entre veículos motorizados e de tração animal era comum.
Há dois anos, 2500 carroças circulavam diariamente pela cidade, segundo o censo da Prefeitura, dedicadas à transportar seus tutores e carregar cargas para reciclagem, comumente.
Atualmente, há menos de uma semana da norma entrar em vigor, os últimos carroceiros entraram no programa da Prefeitura para substituírem seus animais por veículos motorizados, e entregá-los a órgãos responsáveis pelos cuidados até o fim de suas vidas. O plano de negócios para a troca dos animais é de cerca de 21 mil reais.
Os tutores que não se adequarem à norma receberão multas além de terem os animais retirados de sua guarda.
Cavalos são explorados até a morte em veículos de tração. (Foto: ONCA)
Cavalos são explorados até a morte em veículos de tração. (Foto: ONCA)
Os cavalos explorados em veículos de tração são obrigados a trabalhar sem períodos de descanso ao longo do dia por meio de instrumentos de tortura, como chicotes e pedaços de pau, que são usados cada vez que o cavalo interrompe seu trajeto por já estar exausto, ou simplesmente quando não obedece as ordens de seu tutor.
Pelo trabalho pesado e ininterrupto, estes animais estão fadados a sofrer de desnutrição, desidratação, doenças pulmonares (devido à fumaça proveniente de automóveis que respiram), doenças de pele, ferimentos espalhados por cada canto do corpo que recebeu os golpes de chicote ou do pedaço de pau, além do desgaste dos cascos devido ao atrito com o asfalto.
Não há justificativa ética nenhuma para a exploração destes animais e o próprio projeto prevê a reinclusão dos carroceiros no mercado de trabalho e na sociedade, com novas qualificações que garantirão seu sustento de forma digna e sem crueldade.
Do ponto de vista econômico, o Cavalo de Lata é uma solução que se encaixa perfeitamente no lugar do abuso desumano cometido pelos carroceiros. Se trata de um veículo elétrico, que é carregado com energia solar, portanto, não emiti resíduos tóxicos para a atmosfera terrestre, tem 60 km de autonomia e exige um gasto médio somente de R$ 0,02 a R$ 0,05 por quilômetro percorrido.
Em relação ao trânsito, não é seguro para um animal percorrer ruas movimentadas ao lado de carros, caminhões e motocicletas em alta velocidade. Com a proibição de veículos com tração animal, além da própria segurança do cavalo que seria utilizado, também se preza pela segurança das pessoas, já que se evita qualquer tipo de acidente – muitas vezes fatal – com carroças e charretes.
Fonte: ANDA