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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Não passei no vestibular, e agora?




Queridos pai e mãe, 

Tudo bem com vocês?

Eu estou mais ou menos, mas com pensamentos positivos e esperando por dias melhores... Por favor, não reparem na minha letra, pois estou a escrever com a mão esquerda. A direita está engessada devido às fracturas que sofri ao cair de moto esta madrugada. O meu namorado, coitado, perdeu a perna e está a ser processado pela família da velhinha que atravessava a rua quando desrespeitávamos o sinal vermelho. Além disso, a mulher dele foi ao hospital fez um escândalo tremendo só porque há mais de uma semana que ele não vai a casa.

Eu, felizmente, só fracturei o braço direito e fiquei muito preocupada com o bem-estar do bebé, mas os médicos dizem que está tudo bem e que daqui a quatro meses serão avós. A única complicação que os médicos preveem é que o parto terá de ser uma cesariana devido ao herpes genital que contraí e que me incomoda desde o ano passado.

Outra preocupaçãozinha que tenho é uma dívida que me obrigou a vender o carro que me deram no Natal, mas mesmo assim não permitiu pagar tudo. Também tenho de pagar o exame de paternidade, pois o meu namorado alega que o filho não é dele, mas sim do irmão, que também é casado. Por causa de tudo isto, fui obrigada a derreter aquela medalha de ouro que era da avó e, com isso, só faltam 10 contos para eu acertar contas com aqueles credores mafiosos.

Fui injustamente acusada de contrabandear crianças para a Suíça e talvez tenha de passar uns meses na cadeia, devido à cocaína que encontraram no meu bolso após o acidente.

Mãe e pai, se ainda estiverem vivos, fiquem calmos. Isto é só uma brincadeira. A verdade é que não passei no Vestibular.

Beijos,

Sua filha Maria.


Autoria: Desconhecida

Manifesto Photo...stop!



1. Somos a favor de uma sociedade que exalte a beleza em todas as suas formas naturais, não aquelas geradas pela manipulação da realidade.
2. Basta de fingir uma perfeição que nunca é alcançada, e por isso faz tantas pessoas ao redor do mundo mergulharem numa busca insana por aquelas aparências que nunca existirão no mundo real.
3. Chega de modelos sem pintas, sardas, estrias, marcas de expressão, ou qualquer expressão. Não precisamos de bonecas. Precisamos de gente de verdade, cujas covinhas aparecem nas bochechas e a pele dos olhos se franze num sorriso.
4. Nada mais de outdoors com homens e mulheres que nem ao menos gastaram tempo na acadêmica em busca de formas ideais.
5. Sim à exposição dos defeitos físicos, porque é isso que nos torna humanos, não seres de plástico. Sim às gordurinhas a mais nas imagens, que, afinal quase todos possuem; sim à magreza natural, à baixa estatura, ou às machinhas de nascença que nos tornam únicos. E, principalmente, sim às marcas de envelhecimento, pois são elas que dizem que você viveu intensamente há pouco mais do que vinte anos.
6. O mundo em que vivemos é o da imagem digital, mas isso não significa que tenhamos de virar objetos digitais aos preparos de especialistas da informática. Defendemos sim o uso da manipulação da imagem, porém apenas para melhora da fotografia, e não para a criação de uma figura que não tem uma correspondente na realidade. Especialmente no que se refere às formas humanas.
7. É preciso que as pessoas saibam que admiram alguém que não é do modo como está retratado na imagem. Pois haverá sempre uma frustração ao olhar-se no espelho e, mesmo após dietas e exercícios, nunca conseguir um corpo igual ao da imagem, ou o rosto eternamente jovem de uma mulher de sessenta anos.
8. Assim, propomos a extinção do uso de programas como Photoshop para modificação de qualquer forma que seja da imagem. Desde a mínima redução de silhueta até as mais exageradas mudanças em uma pessoa, animal e, em alguns casos, objeto. Como, a exemplo do último, fotos perfeitas nas embalagens de doces de caixa que você, por mais esforço que faça e habilidade culinária que possua, nunca conseguirá imitar.
9. Não ao cabelo brilhante e impecável nos anúncios de xampu. Não ao rosto exageradamente liso e artificial. Não à falta de curvas reais. Não à manipulação da imagem. Não àqueles que acham que só é bel aquilo que não tem defeito. Não à distinção entre o que os olhos podem enxergar no plano real e aquilo que é exposto em cada minuto do dia, em jornais, revistas, cartazes e internet.


Autoria: Desconhecida