Filosofia: Ensino e Pesquisa

Direitos Fundamentais e Democracia!

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Estou bem! Tenho dito!

Estou doente desde início de janeiro deste ano (06/01/2025). Passei por 3 tratamentos com antibióticos, sendo duas internações e por 3 procedimentos cirúrgicos (broncoscopia, pleuroscopia e implantação de um cateter port-a-cath). Várias foram as suspeitas iniciais (covid, pneumonia, tuberculose e tromboembolismo) e então no dia 20/03/2025 saiu o diagnóstico: angiossarcoma epitelióide. Um câncer raro, agressivo e com alta taxa de disseminação (30%), portanto já metastático, local-regional. A sobrevida média após o diagnóstico é de 2 a 5 anos segundo a literatura e a chance de cura de 15%. E é claro que esses números podem todos estarem errados. 

Câncer, ou neoplasia maligna, é uma palavra guarda-chuva que se refere a mais de 250 doenças. E até o momento não encontrei quase nada de consenso sobre o tema. O que achei de mais bom senso é que pode ser uma doença desencadeada por fatores de risco, por hereditariedade ou por ambos. Alguns creem que há um percentual de predisposição genética que podemos herdar do pai, da mãe ou de ambos e esses genes herdados podem ter penetrâncias maiores ou menores, mas sem determinismos. O genético pode ser suplantado pelo estilo de vida. 

Os fatores de risco são variáveis e podem operar conjuntamente. Entre eles estão: sobrecarga de estresse, conflitos emocionais, intoxicação, radiação, incidência solar, tabagismo, alcoolismo, obesidade, desnutrição e má alimentação (ultraprocessados, margarina, frituras, refrigerantes, embutidos,...).Também existem os fatores de proteção: genes de proteção e o próprio sistema imune que pode, por exemplo, desencadear a apopitose, a morte celular programada. Os principais tratamentos para o câncer são: cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. 

Meu tratamento tem sido a quimioterapia. A princípio estão planejadas 12 sessões. Já fiz 6. Deu pra sentir que não é brincadeira. Vamos ver como serão as demais. Os efeitos das químios não são dos mais tranquilos. A quimioterapia nos surpreende com frequência. Uma rasteira atrás da outra. Parece ser um tratamento pior do que a doença. Um inferno. De fato, é uma intoxicação do organismo. Seus fundamentos estão em atrapalhar o processo de divisão celular e matar as células cancerígenas. O problema é que ela está longe de ser um sniper. Mata indiscriminadamente: as células que se reproduzem rápido, as do câncer, mas também as células de defesa. Isso acaba nos deixando um pouco lesados. Dormindo durante o dia e coisas do tipo. A químio é mielossupressora, afeta a produção de células sanguíneas na medula, causando, entre outros, neutropenia: uma diminuição crônica das células de defesa do sangue. 

As pessoas me perguntam: O que anda fazendo? Passando mal....essa tem sido minha principal função. Também indo muito ao banheiro. A segunda maior atividade do dia. Com uma diarreia e uma falta de apetite meio persistentes, tudo que como tenta ir embora antes de ser aproveitado. Aí vira uma coisa, custo a comer e o que como não é absorvido pelo organismo, suficientemente. 

Quase tudo cai: os cabelos, a libido, os glóbulos brancos (a imunidade), os glóbulos vermelhos, o apetite, o peso, o ânimo, a energia, a disposição...Outras coisas sobem: os gastos, o cansaço, a temperatura corporal, as dores (cabeça, coluna, corpo). 

Estou em um curso típico de quimioterapia com sinais esperados de toxicidade hematológica, pré-anêmico (desnutrição discreta), dano renal funcional leve, fígado e rins sobrecarregados e quadro inflamatório ativo (em regressão). 

O pior de todos os dias, até o momento, foi na cama o dia todo, sem conseguir almoçar, nem jantar. Com febre, diarreia, fraqueza e dores na cabeça e na coluna. Esse dia achei que ia virar um jacaré...arrumei uma gemeção sem-fim. Ainda bem que estava sozinho em casa, pois acho muito mais fácil passar mal sozinho. Quando tem alguém eu fico preocupado comigo e com a preocupação do outro comigo e nem consigo focar na minha dor.

Os sintomas tem sido muitos: alteração no paladar, apatia (por isso não tenho respondido seu whats, não é nada pessoal), atordoamento, cabeça pesada, enjoo, mal-estar, fraqueza...Coisas triviais estão começando a virar vitória. Tipo: colocar roupa pra lavar. A decadência chegando. 

Os efeitos da químio são acumulativos, aumentam de intensidade e duração. À medida que ela avança a gente tende a ficar mais debilitado. Fiz a minha sexta químio na última terça (20/05) e seus efeitos se manifestaram até ontem. Da primeira durou dois dias, o 2º e o 3º dia, da quarta, durou uma semana. 

Tenho me esforçado para cuidar de mim e dar o mínimo de trabalho. Essa tem sido a meta. Tenho tentado dar conta das minhas coisas, casa, vasilhas, gato, comida, lendo e ouvindo sobre câncer e tentando fazer algum exercício. Estou basicamente cuidando da minha saúde. Meu foco mudou e meus interesses voltaram em parte para entender essa doença e meu organismo e em especial a questão nutricional, alimentos, hidratação, suplementação e exames... 

Tenho recebido muuita ajuda, apoio e suporte, de muitas pessoas, sobretudo da minha família, da minha namorada e de um casal de amigos. Também devo ir para a casa dos meus pais nos dias mais frágeis.

Minhas emoções estão medicamentadas. Estou tomando antidepressivo, fazendo terapia e conciliado com o “destino”. Aceita que dói menos, não é? Meus sentimentos são de determinação e esperança, mas também de resignação. Vou me esforçar o máximo que conseguir e aceitar os resultados sejam eles quais forem: morte prematura, vida perrengada ou recuperação.... Estou tentando comer-beber sempre que posso e o máximo que consigo. Não baixar a imunidade para não interromper o tratamento. Que é um risco comum. Fazer algum exercício físico. E tenho a esperança de estadiar o câncer e então colocá-lo em remissão total. Luto pela cura. Vou fazer meu possível, mas também aceito ir embora, de boa. O que vier, viverei da melhor forma que conseguir. Tenho esperança de me curar. Mas também já li Schopenhauer e Cioran. Não quero cultivar falsas esperanças. Tem dias que estou mais parecido com uma música do Legião em final de carreira, tipo “A Via-Láctea”. É. A vida dá umas empinada na carroça de vez em quando, nos impedindo de prosseguir. Mas vamos que vamos. Que o Nada nos espera.

Estou bem, tenho dito! Estou bem! Mas há dias difíceis.

Emancipação Humana

Acesse!

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Homens, Mulheres e as Violências



A violência física, moral, psíquica, patrimonial, sexual,...privada ou pública, que as mulheres sofrem precisa ser prevenida, punida e erradicada!

Mas a ênfase que alguns grupos colocam no patriarcado e no machismo pode deixar invisibilizados e excluídos os problemas relativos ao masculino, como se eles não existissem.

Contudo não haverá feminino saudável e feliz sem masculino saudável e feliz. Mulheres feridas ferem! Homens feridos ferem!

Há uma construção cultural de masculinidade prejudicial não só para as mulheres, mas também para os homens e por conseguinte para toda sociedade.

São modos de ser, normas sociais, construídas historicamente e tem efeitos deletérios e diretos sobre a saúde mental e física dos homens. Fazem parte deste códigos: a necessidade do controle emocional, o estímulo a comportamentos de risco, a violência, a dominância, a promiscuidade sexual, a auto-suficiência...

Há também, por vezes, padrões duplos ao julgar a violência de gênero. Meninos tendem a receber formas mais graves de punição em comparação às meninas que cometeram as mesmas falhas.

Na vida adulta, os homens muitas vezes são destinados a trabalhar nas tarefas mais fisicamente exigentes, de mais desconforto e perigo. Eles são maioria nos empregos de lixeiro, de pedreiro, de trabalhadores do campo.

Os homens são maioria nas estatísticas das mortes violentas, dos acidentados, das pessoas em situação de rua, dos encarcerados e dos suicidas...As mulheres são maiorias nas graduações das Universidades e no ganho das disputas judiciais por guarda ou pensão dos filhos.

Os homens em geral vivem menos do que as mulheres, as mulheres, em geral, aposentam mais jovens que os homens.

Nosso país é extremamente violento e atinge homens e mulheres. Mas, mais uns que outros. Dados do Atlas da violência 2016, referentes as mortes de 2014 afirma que no Brasil, naquele ano, 59.627 pessoas foram assassinadas, sendo 54.870 homens e 4.757 mulheres. No Brasil se mata 11,5 vezes mais homem que mulheres.

As mulheres são oprimidas pelos homens e isto é lastimável e deve ser eliminado, mas em muitas ocasiões elas também tem sua parte de responsabilidade nos males do mundo.

Nem toda defesa dos homens é machismo. Temos que cuidar das mulheres, mas temos que levar em consideração todos os lados da questão. Mulheres e homens estão morrendo e sofrendo, e onde houver sofrimento deve haver cuidado e cura.

Referência:
CERQUEIRA, D.R.C. et al.  Nota Técnica. Atlas da Violência 2016. Ipea e FBSP (Fórum Brasileira de Segurança Pública). Nº 17. Brasília, março de 2016.

Sobre a Criação dos Filhos ou Como não perpetuar o que condenamos?




Tenho visto que a mudança de comportamentos nos adultos não é impossível mas o tempo arraiga os hábitos e aparece inegavelmente como um fator de resistência.

Não podemos desistir dos adultos, mas para além do agora, que é de extrema importância, é fundamental que os pais criem seus filhos e filhas para serem no futuro melhores pais e maridos, mães e esposas, que seus próprios pais e maridos, mães e esposas foram. Para que sejam melhores pais e maridos, mães e esposas que eles mesmos são.

Filhos que sofreram abusos psicológicos e agressões na fala tendem a reproduzir tais comportamentos na vida adulta.

Filhos que não são incluídos nas tarefas do lar quando crescem procuram “mães” para casarem e não mulheres. Por trás da maioria dos homens que não querem assumir a parte que lhes cabe no custo e esforço coletivo do conviver tem quase sempre pais coniventes, permissivos e subservientes à preguiça dos seus filhos.

Cotas Raciais: Igualdade ou Institucionalização do Racismo?


sábado, 3 de março de 2018

Eu liberto...



Eu liberto meus pais do sentimento de que já falharam comigo.
Eu liberto meus filhos da necessidade de trazerem orgulho para mim; que possam escrever seus próprios caminhos de acordo com seus corações, que sussurram o tempo todo em seus ouvidos.
Eu liberto meu parceiro da obrigação de me completar. Não me falta nada, aprendo com todos os seres o tempo todo.
Agradeço aos meus avós e antepassados que se reuniram para que hoje eu respire a vida.

Libero-os das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, conscientes de que fizeram o melhor que puderam para resolver suas situações dentro da consciência que tinham naquele momento. Eu os honro, os amo e reconheço inocentes.

Eles sabem que eu não escondo nem devo nada além de ser fiel a mim mesmo e à minha própria existência, que caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto de vida, livre de lealdades familiares invisíveis e visíveis que possam perturbar minha Paz e Felicidade, que são minhas únicas responsabilidades.
Eu renuncio ao papel de salvador, de ser aquele que une ou cumpre as expectativas dos outros.
Aprendendo através, e somente através, do AMOR, eu abençoo minha essência, minha maneira de expressar, mesmo que alguém possa não me entender.

Eu entendo a mim mesmo, porque só eu vivi e experimentei minha história; porque me conheço, sei quem sou, o que eu sinto, o que eu faço e por que faço.

Me respeito e me aprovo.

Eu honro a Divindade em mim e em você... Somos livres.


Fonte: Essa antiga bênção, de autoria desconhecida, foi criada no idioma Nahuatl, falado desde o século VII na região central do México. Ela trata de perdão, carinho, desapego e libertação.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A Assembleia dos Ratos - Fábula de Esopo


Esta fábula é do tempo que os ratos falavam, há muito tempo atrás.
Certa feita os ratos se reuniram em um conselho para decidir a maneira de se virem livres de um gato que andava permanentemente a caça deles. O gato era muito experto, deslocava-se furtivamente, sem fazer barulho, e, quando atacava era mais rápido e mortífero do que um relâmpago.
Vários ratos expuseram as suas idéias, e a reunião prolongou-se pela noite a fora.
Nenhum dos planos sugeridos parecia aceitável, até que um rato muito novo pediu a palavra.
– Proponho – disse ele – que se pendure um guizo no pescoço do gato. E, assim cada vez que ele se mexer, o guizo toca e nos avisa do perigo, e ao ouvir o som teremos tempo de fugir.
Os outros ratos acharam que era uma ótima ideia e aplaudiram com entusiasmo. Então o Velho Rato que tinha ficado calado durante todo o tempo, levantou-se e disse com gravidade:
– É uma excelente proposta, e tenho a certeza de que vai dar resultado. Mas posso perguntar uma coisa.
– Sim, faça a pergunta, responderam em uma só voz vários ratos.
– Quem de vocês – disse o Velho Rato – vai pendurar o guizo no pescoço do gato?
Os ratos começaram a olhar uns para os outros, e não houve nenhum que se oferecesse para levar a cabo semelhante tarefa. Então o Rato Velho, concluiu dizendo:

__ "É mais fácil ter ideias do que realizá-las".

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Poema do Militante - por Ademar Bogo




Não espere facilidade, nossa luta é cheia de sacrifícios...
Não espere privilégios. Os trabalhadores não privilegiam indivíduos.
Não esperem mordomias. Elas são propriedades de todo o povo.
Ser militante não é "levar vantagens". É perder o direito à ociosidade.
E a liberdade de falar bobagens.
Se não quiser ter seus passos vigiados. Muito bem...
Não caminhe. Quem não é visto, jamais será lembrado.
Não acreditem em quem quer fazer tudo. Este indivíduo só existe para si.
Nunca mentir para a gente mesmo. Sabemos onde está a nossa fraqueza.
Se a falsidade nos atrai ao erro. A verdade nos enquadra cedo ou tarde.
Ser militante não é ser estrela. Mas é ser parte do firmamento.
Construído com massa e com sonho,
Na terra firme do universo inteiro. Sem ser herói, mártir ou santo.
Mais sendo apenas um grande companheiro (a).

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Não passei no vestibular, e agora?




Queridos pai e mãe, 

Tudo bem com vocês?

Eu estou mais ou menos, mas com pensamentos positivos e esperando por dias melhores... Por favor, não reparem na minha letra, pois estou a escrever com a mão esquerda. A direita está engessada devido às fracturas que sofri ao cair de moto esta madrugada. O meu namorado, coitado, perdeu a perna e está a ser processado pela família da velhinha que atravessava a rua quando desrespeitávamos o sinal vermelho. Além disso, a mulher dele foi ao hospital fez um escândalo tremendo só porque há mais de uma semana que ele não vai a casa.

Eu, felizmente, só fracturei o braço direito e fiquei muito preocupada com o bem-estar do bebé, mas os médicos dizem que está tudo bem e que daqui a quatro meses serão avós. A única complicação que os médicos preveem é que o parto terá de ser uma cesariana devido ao herpes genital que contraí e que me incomoda desde o ano passado.

Outra preocupaçãozinha que tenho é uma dívida que me obrigou a vender o carro que me deram no Natal, mas mesmo assim não permitiu pagar tudo. Também tenho de pagar o exame de paternidade, pois o meu namorado alega que o filho não é dele, mas sim do irmão, que também é casado. Por causa de tudo isto, fui obrigada a derreter aquela medalha de ouro que era da avó e, com isso, só faltam 10 contos para eu acertar contas com aqueles credores mafiosos.

Fui injustamente acusada de contrabandear crianças para a Suíça e talvez tenha de passar uns meses na cadeia, devido à cocaína que encontraram no meu bolso após o acidente.

Mãe e pai, se ainda estiverem vivos, fiquem calmos. Isto é só uma brincadeira. A verdade é que não passei no Vestibular.

Beijos,

Sua filha Maria.


Autoria: Desconhecida

O Professor está sempre errado...




Quando...
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.

Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de ‘barriga cheia’.

Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta às aulas, é um “Caxias”.
Precisa faltar, é ‘turista’.

Conversa com os outros professores, está “malhando” os alunos.
Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.

Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.

Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a ‘língua’ do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, ‘deu mole’.

É, o professor está sempre errado mas, se
você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!



Autor Anônimo

Carta dos professores ao jovem estudante


Prezado jovem estudante,

Temos algumas coisas em comum. Estamos falando como alguém que já esteve em uma situação similar a sua, há alguns anos. Também já fomos jovens, já tivemos nossas peraltices e rebeldias, enfrentamos muitos problemas típicos da adolescência. Sabemos que ser estudante não é nada fácil também, ainda mais quando, diante de nós, temos professores que, ao invés de motivar, inovar, preparar de vez em quando uma aula diferente da sua convencional, só lhe expõe o mesmo e simples quadro negro de sempre.
Gostaríamos de saber, se seria possível trazer essa energia da juventude, suas experiências e saberes para que juntos transformássemos a vida da nossa escola? Como faria para usar seus esforços para se tornar mais rico culturalmente? Quais as suas perspectivas para o futuro? Aceitaria o desafio do diálogo para que a escola seja um ambiente interessante para todos?
Se aceita, vamos fazer da escola um lugar com significado, onde se ampliam os horizontes, na qual professor e aluno compreendam-se e trabalhem pelo mesmo ideal: viver e conviver bem em sociedade. Temos muito que aprender uns com os outros, afinal você na escola, na família, na sociedade, é cada vez mais, protagonista e atuante, um comunicador “antenado” nas mudanças sociais e tecnológicas, que anseia por elas, pois vive em um mundo cada vez mais globalizado. Você é esse jovem, com suas tribos, seus grupos e redes sociais, traz a característica de possuir uma energia capaz de fazer grandes mudanças. Tudo isso, pois cresceu numa época privilegiada, em que as tecnologias o cerca por todos os lados e você domina ferramentas que até nós, professores, muitas vezes somos leigos.
Preocupamo-nos muito com você, jovem estudante, por isso queremos repensar em nossa convivência na escola e sentimos a necessidade de uma interação maior e de um comprometimento de ambas as partes, com certeza todos ganharão com essa troca de experiências.
Para que isso se torne realidade, necessitamos sua resposta em forma de correspondência, o mais breve possível.
Agradecemos a atenção!
Autoria: desconhecida.

A Fábula do Porco-espinho: vida em grupo pede sacrifício.




Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram.


Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e a valorizar suas qualidades.



Autoria: desconhecida.

Sobre Gansos e Homens



Quando você vir gansos voando em formação “v”, pode ficar curioso quanto às razões pelas quais eles escolhem voar dessa forma: trabalho em equipe. A técnica deles pode auxiliar os humanos:

1. À medida que cada ave bate suas asas, ela cria uma sustentação para a ave seguinte. Voando em formação “V”, o grupo inteiro consegue voar pelo menos 71% a mais do que se cada ave voaria isoladamente.
Pessoas que compartilham uma direção comum chegam ao seu destino mais depressa e mais facilmente porque elas se apoiam na confiança umas das outras.

2. Sempre que um ganso sai da formação, ele repentinamente sente a resistência e o arrasto do ar por tentar voar só, e de imediato, ele retorna à formação para tirar vantagem do poder de sustentação da ave à sua frente.

Existe uma força, um poder e uma segurança em equipe, maior quando estes colaboradores estão na mesma direção com pessoas que compartilham um objetivo comum.

3. Quando o ganso líder se cansa, ele reveza, indo para a fim do “V”. Nesse momento, imediatamente um outro assume a ponta.

É vantajoso ter um revezamento dos integrantes da equipe, quando se necessita fazer um trabalho árduo.

4. Os gansos de trás grasnam para encorajar os da frente a manterem o ritmo e a velocidade.

Todos participantes de uma equipe necessitam ser reforçados. Apoio ativo e encorajamento dos companheiros traz encorajamento frente à dificuldades.

5. Quando um ganso adoece ou se fere e deixa o grupo, dois outros gansos saem da formação e o seguem, para ajudar e protegê-lo. Eles o acompanham até a solução do problema e, então, reiniciam a jornada os três, ou juntam-se à outra formação, até encontrar o seu grupo original.

A solidariedade nas dificuldades é imprescindível.

Autoria: Desconhecida



Vista Cansada - Otto Lara Resende



Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.



Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

A casa dos mil espelhos



Tempos atrás, em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube desse lugar e decidiu visitá-lo. Chegando lá, saltou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com as orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia.
Para sua grande surpresa, deparou-se com outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto à dele. Abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou: “Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um montão de vezes”.
Nesse mesmo vilarejo, outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu mil olhares hostis de cães que lhe olhavam fixamente, rosnou e mostrou os dentes. Ele ficou horrorizado ao ver mil cães rosnando e mostrando os dentes para ele também. Quando saiu, pensou: “Que lugar horrível, nunca mais volto aqui”.


Autoria: Anônimo – Folclore Japonês

Manifesto Photo...stop!



1. Somos a favor de uma sociedade que exalte a beleza em todas as suas formas naturais, não aquelas geradas pela manipulação da realidade.
2. Basta de fingir uma perfeição que nunca é alcançada, e por isso faz tantas pessoas ao redor do mundo mergulharem numa busca insana por aquelas aparências que nunca existirão no mundo real.
3. Chega de modelos sem pintas, sardas, estrias, marcas de expressão, ou qualquer expressão. Não precisamos de bonecas. Precisamos de gente de verdade, cujas covinhas aparecem nas bochechas e a pele dos olhos se franze num sorriso.
4. Nada mais de outdoors com homens e mulheres que nem ao menos gastaram tempo na acadêmica em busca de formas ideais.
5. Sim à exposição dos defeitos físicos, porque é isso que nos torna humanos, não seres de plástico. Sim às gordurinhas a mais nas imagens, que, afinal quase todos possuem; sim à magreza natural, à baixa estatura, ou às machinhas de nascença que nos tornam únicos. E, principalmente, sim às marcas de envelhecimento, pois são elas que dizem que você viveu intensamente há pouco mais do que vinte anos.
6. O mundo em que vivemos é o da imagem digital, mas isso não significa que tenhamos de virar objetos digitais aos preparos de especialistas da informática. Defendemos sim o uso da manipulação da imagem, porém apenas para melhora da fotografia, e não para a criação de uma figura que não tem uma correspondente na realidade. Especialmente no que se refere às formas humanas.
7. É preciso que as pessoas saibam que admiram alguém que não é do modo como está retratado na imagem. Pois haverá sempre uma frustração ao olhar-se no espelho e, mesmo após dietas e exercícios, nunca conseguir um corpo igual ao da imagem, ou o rosto eternamente jovem de uma mulher de sessenta anos.
8. Assim, propomos a extinção do uso de programas como Photoshop para modificação de qualquer forma que seja da imagem. Desde a mínima redução de silhueta até as mais exageradas mudanças em uma pessoa, animal e, em alguns casos, objeto. Como, a exemplo do último, fotos perfeitas nas embalagens de doces de caixa que você, por mais esforço que faça e habilidade culinária que possua, nunca conseguirá imitar.
9. Não ao cabelo brilhante e impecável nos anúncios de xampu. Não ao rosto exageradamente liso e artificial. Não à falta de curvas reais. Não à manipulação da imagem. Não àqueles que acham que só é bel aquilo que não tem defeito. Não à distinção entre o que os olhos podem enxergar no plano real e aquilo que é exposto em cada minuto do dia, em jornais, revistas, cartazes e internet.


Autoria: Desconhecida

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Se não quiser adoecer - Dráuzio Varella







Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”


Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..


Se não quiser adoecer – “Tome decisão”

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.


Se não quiser adoecer – “Busque soluções”

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.


Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro.Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.


Se não quiser adoecer – “Aceite-se”

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.


Se não quiser adoecer – “Confie”

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. (...)



Se não quiser adoecer – “Não viva SEMPRE triste!”

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.

“O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.

(Com modificações)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Carta de São Paulo aos Coríntios de hoje - Dom Hélder Câmara



Se eu aprender inglês, espanhol, alemão e chinês, e dezenas de outros idiomas, mas não souber me comunicar como pessoa, de nada valem minhas palavras.

Se eu concluir um curso superior, andar de anel no dedo, frequentar cursos e mais cursos de atualização, mas viver distante dos problemas do povo, minha cultura não passa de inútil erudição.

Se eu morar no Nordeste, mas desconhecer os problemas e sofrimentos de minha região e fugir para férias no Sul, até na América ou Europa, e nada fizer pela promoção do homem, não sou cristão.

Se eu possuísse a melhor casa de minha rua, a roupa mais avançada do momento e o sapato da moda, e não me lembrasse de que sou responsável por aqueles que moram na minha cidade e andam de pés no chão e se cobrem de molambo, sou apenas um manequim colorido.

Se eu passar os fins de semana em festas e programas, sem ver a fome, o desemprego, o analfabetismo e a doença, sem escutar o grito abafado do povo que se arrasta a margem da história, não sirvo para nada.

O cristão não foge dos desafios de sua época. Não fica de braços cruzados, de boca fechada, de cabeça vazia; não tolera a injustiça nem as desigualdades gritantes de nosso mundo; luta pela verdade e pela justiça, com as armas do amor.

O cristão não desanima nem se desespera diante das derrotas e dificuldades, porque sabe que a única coisa que vai sobrar de tudo isso, é o AMOR.


parafraseando 1Cor 13,1-13

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Um rato, uma fazenda e os demais - uma fábula sobre o individualismo



Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
– Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande
problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me
incomoda.
O rato foi até o porco e disse:
– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
– Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.
O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:
– O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então, o rato voltou para casa abatido para encarar a ratoeira.
Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado.
No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e os vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se de que, quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.” 

(Autor Desconhecido)